Linhas, Projetos e Grupos de Pesquisa

Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Comunicação

Propomos a divisão do campo Cultura Midiática em duas linhas de investigação com especificidades e complementaridades, as quais têm por objetivo congregar pesquisas que visam contribuir por um lado para a compreensão dos fenômenos midiáticos contemporâneos e, por outro lado, suas implicações no âmbito da sociedade e da cultura:

Linha 1 - Configuração de produtos e processos na cultura midiática

Congrega pesquisas sobre as dinâmicas históricas e os processos por meio dos quais as produções impressas, digitais, sonoras e audiovisuais são codificadas e constituídas no âmbito da cultura midiática.

Docentes

Linha 2 – Contribuições da mídia para a interação entre grupos sociais

Reúne pesquisas orientadas às práticas e processos midiáticos inscritos em grupos sociais, privilegiando a análise de poder e resistência. São admitidas pesquisas sobre discursos, práticas e representações, bem como meios e ambientes sociopolíticos, culturais e imaginários no contexto midiático.

Docentes

O perfil e a produção dos grupos de pesquisa podem ser melhor verificados no acesso direto às páginas do diretório de grupos de pesquisa do CNPq, ou ainda dos sites dos Grupos, segundo indicações a seguir:

GP MUSIMID - CENTRO DE ESTUDOS EM MÚSICA E MÍDIA
Líder: Profa. Dra. Heloísa de Araújo Duarte Valente (Linha 1)
Link CNPq: https://bit.ly/3cDtOPu
Site: www.musimid.mus.br

GP GRUPA - ANÁLISE DE PRODUTOS AUDIOVISUAIS
Líder(es) do grupo: Prof. Dr. Gustavo Souza da Silva e Profa. Dra. Clarice Greco Alves (Linha 1)
Link CNPq: https://bit.ly/3ugrsfg

GP MÍDIA, CULTURA E MEMÓRIA
Líder(es) do grupo: Prof. Dr. Antonio Adami (Linha 1) e Profa. Dra. Carla Montuori Fernandes (Linha 2)
Link CNPq: https://bit.ly/2QUz7lb

GP NARRATIVAS DA MEMÓRIA: REPRESENTAÇÕES, IDENTIDADES E CULTURA
Líder(es) do grupo: Profa. Dra. Barbara Heller (Linha 2) e Prof. Dr. Gustavo Souza da Silva (Linha 1)
Link CNPq: https://bit.ly/2OgJuPq

GP MÍDIA E ESTUDOS DO IMAGINÁRIO
Líder(es) do grupo: Profa. Dra. Malena Segura Contrera e Prof. Dr. Jorge Miklos (Linha 2)
Link CNPq: https://bit.ly/3udaTAZ
Site: https://www.midiaeimaginario.org/

GP SEMIOPOL - SEMIOPOLÍTICA DOS PROCESSOS SOCIOCULTURAIS E MIDIÁTICOS
Líder do grupo: Prof. Dr. Paolo Demuru (Linha 2)
Link CNPq: https://bit.ly/31HHtPn

GP URBESOM - CULTURAS URBANAS, MÚSICA E COMUNICAÇÃO
Líder do grupo: Profa. Dra. Simone Luci Pereira (Linha 2)
Link CNPq: https://bit.ly/2OgMHhW
Facebook: https://www.facebook.com/Urbesom/

Títulos e resumos dos projetos de pesquisa atuais dos professores do PPGCOM

Prof. Dr. Maurício Ribeiro

Título do projeto: Arqueologia da Intolerância: o papel da mídia na retificação de estereótipos culturais

Resumo: Nos resultados obtidos por meio de nosso projeto de pesquisa anterior observamos que para além de processos de aceitação e intolerância religiosa presentes no ambiente midiático, emergem como pano de fundo relações consistentes entre processos culturais associados à constituição do imaginário colonial europeu e a estigmatização de grupos sociais subalternizados (pessoas pretas, indígenas, mulheres, LGBT+, trabalhadores). As evidências sugerem que traços constituídos há cerca de 500 anos ainda se mostram fundantes das relações sociais e culturais, impondo a grupos específicos um lugar na sociedade estabelecido partir de processos de estereótipos arcaicos. O presente projeto tem por objetivo investigar o papel da produção midiática (jornalismo, entretenimento, redes sociais etc.) na reificação de tais estereótipos, contribuindo com sua “naturalização” e tornando-se transmissor de processos de preconceitos e intolerâncias. A hipótese central consiste em considerar que persistem nos veículos, imagens e discursos que reiteram valores hegemônicos que refletem condições históricas discrepantes dos valores contemporâneos. O corpus da pesquisa consiste em textos e imagens produzidas no âmbito da literatura, do jornalismo, do cinema e do audiovisual e outras manifestações culturais brasileiras, distribuídos por processos midiáticos primários, secundários ou terciários. Para tanto, serão acionados os referenciais relacionados à Teoria do Imaginário a partir da obra de Gilbert Durand e Michel Maffesoli e da Teoria da Comunicação e da Mídia na perspectiva cultural presente em Muniz Sodré, Malena Contrera e outros.


Profa. Dra. Barbara Heller

Título do projeto: EMPODERAMENTO, ESQUECIMENTO OU SILENCIAMENTO? A RESSIGNIFICAÇÃO DAS NARRATIVAS FEMININAS POR MEIO DA MEMÓRIA SOCIAL

Resumo: Na Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, adotada em 2015 pela Assembleia das Nações Unidas, entre os 17 objetivos sustentáveis, encontra-se o de Igualdade de Gênero. Por meio dele espera-se eliminar as desigualdades de gênero se e quando “mulheres, homens, sociedade civil, governos, empresas, universidades e meios de comunicação [trabalharem] de maneira determinada, concreta e sistemática [...]”. Isso significa que os meios de comunicação ocupam papel central na luta pela igualdade de gênero. O gênero textual a que venho me dedicando para refletir sobre as relações entre as mulheres e os meios de comunicação é o “diário”, em cujos manuscritos expressavam seus sentimentos, lembranças, experiências, sempre ativadas pelas memórias individual e social. Com o incremento da indústria editorial e sua segmentação, os manuscritos ganharam novos suportes, os livros, e novos consumidores. É possível reconhecer nestes textos, agora editados, formas de resistência à opressão do Estado, da família, da religião, ao silenciamento, ao esquecimento e estratégias de empoderamento. Trata-se, portanto, de uma pesquisa qualitativa e documental. Os referenciais teóricos utilizados versam sobre memória, diários e estudos de gênero tais como: BADINTER, Elisabeth (Rumo equivocado - o feminismo e alguns destinos); CARLOS, Ana Maria e ESTEVES, Antonio R. (Org.), (Narrativas do eu: memórias através da escrita); BUTLER, Judith (Problemas de gênero); HALBWACHS, Maurice (A memória coletiva); LE GOFF, Jacques (História e Memória); POLLAK, Michael (Memória, esquecimento, silêncio); SARLO, Beatriz (Tiempo passado, cultura de la memoria y giro subjetivo); SELIGMANN-SILVA, Márcio (História, memória, literatura); TODOROV, Tzvetan (Memória do mal, tentação do bem). Vários livros foram e ainda serão objeto de meu corpus. Dentre eles, destaco: RENNER, Hannelore (As meninas do quarto 28); KOSTER, Ingrid Helga (Ingrid; uma história de exílios); ALCOBA, Laura (La casa de los conejos). 


Prof. Dr. Antônio Adami

Título do projeto: Novos modelos de produtos culturais de narração sonora e radiofônica: materialidade sonora em letras de Chico Buarque de Holanda

Resumo: Considerando as novas formas de produzir e disseminar conhecimento por meio da pesquisa em Linguagem e Comunicação, particularmente a linguagem sonora, pretendemos construir novas abordagens teóricas e metodológicas para a materialidade sonora a partir da palavra sonora, analisando letras de Chico Buarque de Holanda. Pretendemos investigar dez letras do vasto repertório do compositor, músico e romancista, particularmente aquelas no contexto político. Vamos trabalhar com pesquisas teóricas do som e avançaremos para outras metodologias de estudo sonoro e das adaptações literárias. Como resultado da pesquisa, pretendemos produzir como radioteatro dez podcasts com as adaptações das letras, e assim, ampliar conhecimentos sobre a vida e obra de Chico, a partir inclusive de entrevistas com intelectuais e músicos que convivem ou conviveram com o artista e aprofundar conhecimentos também sobre as possibilidades sonoras. Estas adaptações permitirão um rejuvenescimento da obra de Chico Buarque, com a materialização sonora das letras de suas músicas, ou como Murray Schaffer denomina, com as “Paisagens Sonoras”. Estamos trabalhando na área de comunicação, com uma proposta interdisciplinar nos campos de audioarte/Radioarte, Materialidade sonora, Adaptações literárias e Cultura e Sociedade, pesquisa esta em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que se preocupa com questões sociais, econômicas e ambientais em todo o mundo. Pretendemos que a pesquisa e a produção sonora desenvolvida a partir dela sejam instrumentos para a educação e para a cultura, um dos 17 Objetivos Globais, adotados pelas Nações Unidas em 2015 como um apelo universal no sentido de garantir conhecimento e educação de qualidade.


Profa. Dra. Carla Montuori

Título do projeto: Meios e Mídias no contexto da Pós-verdade 

Resumo: Com a popularização do ciberespaço, novos agentes sociais começaram a participar mais ativamente da realidade, tanto ao receber mais informações, como ao se tornarem disseminadores de conteúdo. Nesse contexto, popularizou o fenômeno das fake news, em português, notícias falsas, que apoiada pelas novas tecnologias de informação são disseminadas em larga escala e possuem facilidade de se espalharem para um grande público em um tempo curto e para diferentes espaços. Nesse sentido, o projeto tem como objetivo analisar as práticas de midiatização da vida social e política pela ótica das novas tecnologias da comunicação, estudando os mecanismos de produção e propagação de narrativas que ampliam a capacidade de desinformação disseminada no ambiente virtual. A pesquisa versará sobre as temáticas da pós-verdade, negacionismo científico, desinformação e novas ambiências midiáticas. Analisar as características e especificidades de funcionamento do ambiente virtual que contribuem com a desordem da informação, como filtros-bolhas, robôs (bots), algoritmos de redes sociais, comunidades virtuais, trolls, ciborgues, etc., também se somam ao objetivo da pesquisa. 

Título do projeto: A rede de desinformação e a saúde pública em risco: uma análise das fake news em cenários epidêmicos 

Resumo: O projeto "A rede de desinformação e a saúde pública em risco: uma análise das notícias falsas em cenários epidêmicos" tem por objetivo analisar tais conteúdos sobre a ótica da onda de informações falsas que circulam em circunstâncias de riscos epidêmicos, tendo como objeto de estudo as redes sociais e eventos específicos em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de importância internacional. A linha teórica buscará nas discussões de pós-modernidade e pós-verdade, os pressupostos para analisar a narrativa das notícias falsas que circulam nas redes sociais e geram uma onda de descrédito na área da saúde pública. Essa abordagem incidirá principalmente sobre as notícias falsas que circularam no Facebook e no Twitter, sobre as epidemias de Gripe Suína (H1N1), do vírus Ebola (DVE) e do recente surto de Coronavírus SARS, ambos destacados entre o período de 2009 a 2020. A metodologia empregada alia pesquisa quantitativa, amparada em dados mensurados por meio de software de mapeamento e monitoramento das redes sociais, para posterior leitura e interpretação dos resultados, recorrendo ao método da análise de conteúdo (BARDIN, 2011). 


Profa. Dra. Clarice Greco

Título do projeto: Ativismo de fãs: feminismos e representatividade na cultura pop

Resumo: O presente projeto se insere nas pesquisas do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Paulista (UNIP), na linha de pesquisa Configuração de Linguagens e Produtos Audiovisuais na Cultura Midiática. Esta linha procura dar continuidade às minhas investigações com pesquisadores parceiros e orientandos, atualmente participantes do Grupo de Pesquisa de Análise de Produtos Audiovisuais, que tem como líderes o Prof. Dr. Gustavo Souza e eu, com foco em pesquisas de fãs de produtos audiovisuais da cultura pop. O principal objetivo deste projeto é ampliar as reflexões acerca do chamado ativismo de fãs (Bennet, 2012; Jenkins, 2015; Lima e Cavalcanti, 2018), que se refere à postura crítica dos fãs de produtos da cultura pop audiovisual, em especial no que tange à representatividade feminina de raça, gênero, orientação sexual, violência doméstica, maternidade e demais questões que permeiam o papel das mulheres na sociedade. A linha teórica avança o crescente pensamento dos estudos de fãs, como audiência que se configura ativa e produtora de conteúdos nas diversas redes digitais (Hills, 2002; Booth; 2010; Lopes et. al; 2015), em diálogo com conceitos como o de pop-lítica (RINCÓN, 2016) e feminismo interseccional (CRENSHAW, 1989, 2019; FERGUSON, 2018; SPIVAK, 2010; HOLLANDA et al, 2020), a fim de debater as reivindicações de fãs mulheres em relação a representações diversas das mulheres em suas interseccionalidades.


Prof. Dr. Gustavo Souza

Título do projeto: Apropriações do trauma pelo documentário brasileiro: extermínio indígena e violência policial

Resumo: A discussão empreendida por estudiosos do documentário sobre situações traumáticas apresenta basicamente dois eixos: o holocausto da Segunda Guerra Mundial e outros genocídios ocorridos durante o século XX (Ruanda, Camboja e ex-Iuguslávia) (SARKAR e WALKER, 2009; WALKER, 2005; KAPLAN e WANG, 2005; TORCHIN, 2012; BRODERICK e TRAVERSO, 2011; APREA, 2015). No Brasil, tal abordagem é ausente, uma vez que não consta em nossa história holocausto ou genocídio (este último, pelo menos oficialmente), no entanto, abundam os massacres e as chacinas. Este projeto pretende investigar como o documentário brasileiro contemporâneo (entendendo contemporâneo como as duas primeiras décadas deste século) retrata acontecimentos traumáticos que se desenrolam na história do país. A intenção é investigar as apropriações do trauma à brasileira quando realizada pelo documentário. Em suas inúmeras abordagens teóricas – da psicanálise à sociologia, da história à filosofia –, há um conjunto de aspectos que converge para uma definição comum de trauma: trata-se de um fato inesperado, extremo ou espantoso, de difícil assimilação por seus efeitos desestruturantes e que deixa consequências indeléveis. Em meio a essa diversidade, partiremos das pistas fornecidas pelo corpus para encontrar uma perspectiva teórica a ele correlata. A que se anuncia mais prontamente é a de trauma cultural (ALEXANDER, 2004, 2012; SMELSER, 2004), cuja premissa é conceber o trauma como uma atribuição socialmente mediada, isto é, ele não ocorre de modo causal, mas como parte de um processo socialmente circunscrito. Para o desenvolvimento da discussão, partiremos dos documentários Auto de resistência (Natasha Neri e Lula Carvalho, 2018), Ex-pajé (Luiz Bolognesi, 2018), Martírio (Vincent Carelli, 2016) e Sem descanso (Bernard Attal, 2020). Embora os temas desses filmes sejam diferentes, o que justifica a sua escolha é que todos abordam algum evento traumático, diretamente relacionado a questões sociais e históricas. Com esse aspecto em comum, o corpus aponta para as seguintes perguntas: como pensar o trauma no contexto brasileiro quando abordado pelo documentário? Como o material fílmico imanente organiza, por meio da montagem, a relação entre indígenas e moradores de periferias e o Estado brasileiro? Como as imagens de arquivo e os testemunhos se articulam em torno da demonstração da violência? Como olhar para histórias de pessoas anônimas que perderam a vida em decorrência de um ato violento? Qual o papel e o posicionamento dos diretores desses filmes frente ao tema e aos personagens? Em resumo, que narrativas, pontos de vista e discursos em imagem e som geram tais situações traumáticas? Dentro dessa perspectiva, o procedimento de análise privilegia a identificação dos materiais fílmicos imanentes, seus modos de composição e a arquitetura narrativa (TEIXEIRA, 2013). Isso permitirá o debate sobre a construção imagético-sonora do acontecimento violento, do dano sofrido e das consequências a médio e longo prazo, de modo a perceber como esses documentários se constituem como narrativas produzidas a partir de vidas no trauma.


Profa. Dra. Heloísa Valente

Título do projeto: Sous le ciel de Paris Memória e nomadismo da canção francesa no Brasil

Resumo: Este projeto diz respeito à canção francesa, que teve importantes repercussões na cultura brasileira. A despeito da sua importância, ainda não foi alvo de estudos acadêmicos mais consistentes, nos termos aqui propostos. Este estudo se dedica àquilo que se usou denominar por “canção romântica”. Delimitamos a investigação ao período que compreende o final da década de 1930 até o término da década de 1970, época em que a canção internacional de matriz europeia perde destaque, dando lugar aos gêneros rock e pop de língua inglesa, bem como aos repertórios regionais que surgem fora do eixo Rio-São Paulo. Partimos dos conceitos de “canção das mídias” (Valente, 2003) e “nomadismo”(Zumthor, 1997), para analisar como a canção expressa, informa, corrobora, apresenta traços da cultura da qual faz referência e à qual se vincula. Objetivos: Tendo como base inicial o repertório discográfico difundido em programas de rádio, além de depoimentos de pessoas, pretende-se analisar, dentre outros, aspectos tais como: 1) as relações entre audiência e memória musical, 2) o impacto da permanência de artistas divulgadores da canção de origem francofônica (sobretudo francesa) e o surgimento de “versões brasileiras”, lançadas pelo mercado fonográfico local; 3) como este segmento de canções presentes nas mídias se fazem presentes no cotidiano do cidadão comum, sobretudo nas capitais metropolitanas. Resultados: propõem-se, dentre outros possíveis: 1) três artigos destinados à publicação em revista especializada, contendo uma sistematização dos resultados do projeto; 2) a de criação de um banco de dados contendo a discografia mais representativa das canções francesas, lançadas no Brasil. Com este segundo resultado abre-se a possibilidade de elaborar outros subprojetos de pesquisa, permitindo abordar, mais amplamente, os critérios de gostos estético e imaginário compartilhados pela comunidade de ouvintes; 3) a promoção de um encontro científico, em caráter internacional; uma seleção dos textos mais significativos estará destinada a publicação, sob a forma de livro ou número especial de revista especializada, à medida do possível, 4) à medida das possibilidades, registrar-se-ão depoimentos de memorialistas, artistas, produtores musicais, radialistas, críticos musicais e outras pessoas, com o objetivo de criar um banco de dados audiovisuais, a serem inseridos na página do MusiMid (www.musimid.com.br). Estão previstos outros resultados, dependentes da colaboração de outros pesquisadores docentes e estudantes das Universidades: 1) a criação de um programa de rádio, com a duração de 50 minutos, contendo depoimentos de entrevistados; 2) um recital artístico, tendo como repertório canções francesas analisadas.

Título do projeto: Feelings, for all my life I’ll feel it? Memória e nomadismo da canção em inglês, do Brasil

Resumo: Esta investigação diz respeito à canção brasileira composta com letra em inglês: expressiva em vendagem, mas não prestigiada pela intelligentsia tal como ocorreu com o repertório contemporâneo, representado, sobretudo, pelo Tropicalismo, a canção de protesto e de epígonos da denominada MPB, esta produção teve altos índices de vendas e gozou de grande popularidade. Trata-se da “canção romântica” das décadas de 1970 que surge, justamente, quando os gêneros rock e pop de língua inglesa já dominavam a paisagem sonora e quando a indústria fonográfica atingiu seu apogeu: um repertório cantado em inglês por artistas nacionais, cuja identidade era camuflada como estadunidense. Partimos do conceito de “canção das mídias” (Valente, 2003), para analisar como a canção expressa, informa, corrobora, apresenta traços da cultura da qual faz referência e à qual se vincula. Objetivos: Tendo como base inicial o repertório discográfico difundido em programas de rádio, além de depoimentos de pessoas, pretendemos analisar, dentre outros, aspectos tais como: - os pressupostos estéticos e comerciais concebidos pelo mercado fonográfico local, ao criar esse subgênero; - algumas das repercussões ante o imaginário incutido no público receptor, ao entender como estrangeiros os artistas locais; - as relações entre audiência e memória musical. Problemática da pesquisa: As análises a serem realizadas levam-nos a tratar de uma problemática de pesquisa que visa dar respostas a: - Como este segmento de canções presentes nas mídias participavam do cotidiano do cidadão comum, sobretudo nas capitais metropolitanas? - Que elementos intrínsecos da composição contribuem para a aceitação da canção em inglês? - Como a estética do cover e de uma identidade inventada interferiram na concepção estética de períodos posteriores? Resultados: Propõem-se, dentre outros possíveis: 1) pelo menos dois artigos destinado à publicação em revistas especializadas; 2) três comunicações em congressos (com publicação em atas) apresentando os resultados parciais do projeto, ao longo do seu desenvolvimento; 3) a promoção de um encontro científico, dedicado ao tema; 4) uma seleção dos textos mais significativos estará destinada a publicação, sob a forma de livro ou número especial de revista especializada; 4) à medida das possibilidades, registrar-se-ão depoimentos de memorialistas, artistas, produtores musicais, radialistas, críticos musicais e outras pessoas, resultando num documentário de média-metragem; 5) a criação de um programa de rádio, com a duração de 30 a 50 minutos, contendo depoimentos de entrevistados.


Prof. Dr. Paolo Demuru

Título do projeto: Sensos comuns: a construção de crenças coletivas em chave semiótica

Resumo: Na segunda década do século XXI, assistiu-se à proliferação de termos/conceitos como “pós-verdade”, “fake news”, “desinformação”, “pseudociência”, “anticiência”, “negacionismo”, “teo-rias da conspiração”. Apesar de serem utilizadas muitas vezes como meras etiquetas, essas palavras contribuíram a focalizar a atenção da opinião pública e da comunidade acadêmica em torno de um problema crucial para as ciências humanas e sociais e, em particular, para o campo da comunicação: o problema da construção das crenças. Por que as pessoas acredi-tam no que acreditam? O que faz elas acreditarem? O que as convence e ou que não as convence? Como emerge e se consolida uma dada crença? Por que crenças evidentemente falsas e ou cientificamente infundadas costumam ser difíceis de descontruir e serem erradicadas do debate público? Como crenças historicamente sedimentadas se transformam? Como, e em quais casos, elas cessam de existir? E qual é o papel das mídias nestes processos? Este projeto de pesquisa busca responder a estas perguntas. Com base em uma abordagem sociossemiótica e semiótico-cultural, bem como no diálogo com outras perspectivas disciplinares, busca-se refletir sobre os modos de produção de sentido que fundamentam a emergência, a construção e a sedimentação de crenças coletivas. Partindo do pressuposto de que toda crença é um conjunto de discursos e práticas socioculturais com uma organização própria, investigam-se as maneiras como elas articulam níveis e mecanismos diversos de produção de sentido, dos mais abstratos (valores, oposições semânticas e organizações narrativas de base) aos mais concretos (dispositivos enunciacionais, temas, arranjos figurativos e plásticos). Ao mesmo tempo, indagam-se os regimes de interação os horizontes passionais nos quais se inscrevem tanto as relações entre os grupos sociais, quanto aquelas entre estes últimos e o ecossistema mediático no qual eles atuam e interatuam. Dentro das coordenadas traçadas por este quadro teórico-metodológico, o projeto abriga estudos que contemplam fenômenos comunicacionais diversos: as lógicas discursivas que norteiam a produção de efeitos de verdade nas novas e velhas mídias; as gramáticas da desinformação; os aparatos discursivos das pseudociências e das teorias de conspiração; a construção de estereótipos socioculturais; as estratégias de manipulação dos discursos políticos; as formas do pertencimento coletivo de grupos sociais reunidos em torno de uma o mais crenças específicas. Em todas as análises, confere-se uma particular atenção ao papel exercido pela mídia, buscando entender suas contribuições nas dinâmicas de construção e sedimentação de crenças. Lembrando, por fim, que a consolidação de uma crença decorre sempre de uma disputa semiótica que dá corpo a relações de poder suscetíveis de se perpetrarem ao longo da história. Nessa perspectiva, pode-se dizer que o problema da construção das crenças é um problema eminentemente semiopolítico: a capacidade de uma crença se afirmar e sobre-viver no seio de uma dada cultura e/ou sociedade depende, sem exceção, de sua eficácia discursiva.

Título do projeto: Redesocialismo: morfologia e práticas discursivas do populismo digital

Resumo: O presente projeto de pesquisa busca compreender e analisar a morfologia do populismo do século XXI, focando, em particular, nas suas relações com as mídias sociais. Nossa tese é de que o populismo atual pode ser entendido como um verdadeiro “redesocialismo”, isto é, como uma exasperação – um “ismo” – das práticas discursivas e interacionais das redes sociais. A partir destas postulações, e com base no arcabouço teórico-metodológico da se-miótica discursiva, identificamos e analisamos as principais estratégias utilizadas pelo dis-curso populista contemporâneo, a saber: o novismo, a vagueza, a negatividade, a polariza-ção, a urgência, o corpo, o contágio, o anonimato, a provocação, o conspiracionismo. Os casos analisados contemplam os principais cenários políticos do mundo ocidental, dos Esta-dos Unidos ao Brasil, do Reino Unido à França e à Itália.


Profa. Dra. Simone Luci Pereira 

Título do projeto: Práticas musicais-midiáticas na região central de São Paulo: culturas juvenis e urbanas, corporalidades e territorialidades 

Resumo: Esta pesquisa busca analisar práticas musicais-midiáticas juvenis na região central da cidade de São Paulo, a saber, o chamado “centro velho” e a região do Bixiga (Bela Vista) pensados como “região”. Outorgamos centralidade à dimensão espacial para pensar a música, pois focamos em atividades musicais que estejam articuladas a discussões mais amplas sobre o direito à cidade e seus usos. Mais ainda, delimitamos também na região escolhida as práticas musicais que tenham um ethos alternativo, ligado (de diferentes maneiras e intensidades) às lógicas associativas, colaborativas ou DIY em que vamos percebendo a constituição de um ativismo urbano e musical destes atores (músicos, ativistas, produtores, público, etc.) envolvidos nas discussões e ações sobre usos e disputas pela cidade e valorização das áreas centrais. Estas práticas reinventam e se apropriam dos espaços da cidade tendo como foco a música e as práticas estéticas, políticas e corporais, edificando territorialidades. A investigação usa como metodologia a pesquisa de campo de base etnográfica para a construção de uma cartografia destas práticas musicais-midiáticas, com observação dos eventos e performances, anotações, registros audiovisuais e entrevistas com os atores envolvidos (músicos, produtores, público, agentes do Estado e de outras institucionalidades) em espaços públicos e semipúblicos. Usamos uma etnografia que entende o caminhar pela cidade como prática estética e política, no qual as dimensões afetivas e sensoriais/corporais têm papel preponderante.