UNIP Alphaville recebe idealizador do SUS e fundador da Anvisa para palestra

 

“O ser humano não é um órgão doente. Ele tem pensamentos e sentimentos e nós, os médicos, temos que dedicar atenção completa às pessoas, para que elas consigam encontrar seu caminho na sociedade. A medicina é a arte de procurar melhorar a vida das pessoas, fazendo com que elas encontrem a forma mais saudável de viver.”

Professor Doutor Gonzalo Vecina Neto

 

A Universidade Paulista – UNIP realiza, periodicamente, congressos, encontros e palestras que visam à atualização profissional de seus alunos, professores e coordenadores. Para isso, convida renomados especialistas em suas áreas de atuação para compartilharem seus conhecimentos com a comunidade acadêmica.

Desta forma, pelos teatros da UNIP já passaram ministros das mais altas cortes, destacados médicos, advogados, desembargadores, arquitetos, engenheiros, jornalistas, publicitários, psicólogos, economistas, administradores e dezenas de expoentes de todas as áreas do saber humano.

Consoante com essa proposta, em 31 de agosto, os alunos da primeira turma do curso de Medicina, do campus Alphaville, e demais estudantes da Saúde assistiram à palestra “Avanços e desafios do SUS – da implantação aos dias atuais”. O palestrante foi nada menos que um dos idealizadores do Sistema Único de Saúde –SUS e fundador e presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no período de 1999 a 2003, Profº Drº Gonzalo Vecina Neto.

 

Vecina, que é médico sanitarista e docente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), expôs a mais de 400 alunos e também a internautas – já que a atividade foi transmitida pela TV Web UNIP a todo público externo da universidade – a história do SUS, considerado um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo.

Compuseram a mesa de trabalhos a vice-reitora de Administração e Finanças da UNIP, Profaª Drª Claudia Andreatini, o docente no curso de Medicina, Profº Drº Fábio Ancona Lopes, e os representantes do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Profº Drº Luiz Felipe Scabar e o Profº Drº Cristiano Baldan. A palestra contou, também, com a presença na plateia do secretário municipal de saúde de Santana de Parnaíba, Drº José Carlos Misorellia.

Sob olhares atentos e curiosos, Gonzalo Vecina Neto conquistou a atenção de todos do início ao fim. Pudera. O que ali foi ouvido traduziu-se em uma aula magna de História e Sociologia, para que todos soubessem e, mais que isso, compreendessem o que é e como funciona o gigante SUS.

O médico contextualizou cada fase da saúde mundial e nacional com o momento político da época, passou pelas descobertas científicas, dos séculos XIX e XX, falou sobre a saúde no Brasil nos primeiros anos da República, que era controlada pelo Ministério da Justiça e que fazia, mais do que qualquer outra coisa, polícia sanitária, na tentativa de reduzir doenças infectocontagiosas como a varíola, a peste bubônica e a febre amarela. Contou sobre o surgimento da figura do médico da família – e não de família, como hoje é denominado –, benesse exclusiva somente a quem possuía recursos financeiros.

Enfatizou a importância do novo olhar dado às relações do trabalho, propiciado pelo fim da escravidão e o início da imigração de trabalhadores europeus. Acentuou a importância da criação da Lei Eloy Chaves – voltada aos trabalhadores ferroviários – que fez com que as companhias implementassem aposentadorias e pensões. Estava naquele momento lançada a semente da previdência social brasileira.

De maneira pontual e didática, analisou como foi tratada a saúde na Era Vargas no Governo Provisório (1930-1934), no Governo Constitucional (1934-1937) e no Estado Novo (1937-1945), frisando que, na primeira delas, foi criado o Instituto de Aposentadorias e Pensões (IAP), que viria, mais à frente, abranger dezenas de categorias de trabalhadores.

Com Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956), a expansão industrial caminhou a passos largos e, em decorrência disso, o IAP dos Industriários não conseguiu atender a um contingente tão grande de pessoas. Nascia, assim, o que hoje é chamado Medicina de Grupo. Era o começo dos planos de saúde e, a seguir, da organização de Cooperativas Médicas.

No Governo Militar (1964-1985), os 30 IAPS foram substituídos pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). “Houve aumento da oferta de serviços, os planos de saúde e as cooperativas médicas cresceram, construíram-se hospitais, expandiram-se as universidades. Foi estruturado um setor privado de assistência à saúde”, explica Drº Gonzalo.

Paralelamente, havia um grupo importante da sociedade, formado principalmente nas universidades, que desejava criar um país democrático, com um sistema de atenção à saúde de base universal, já que na época só era atendido quem tinha carteira de trabalho assinada. “Quem não era registrado, era tratado por entidades filantrópicas e por hospitais estatais; atendidos em filas separadas e identificados como indigentes. Sonhava-se em construir um sistema que atendesse a toda população, com base nos impostos pagos por ela.  Esse foi o sonho da criação do SUS, que acabou se concretizando”, completa.

Em 1986, a Conferência Nacional de Saúde em Brasília reuniu as teses de melhorias. Elas foram incorporadas com a promulgação da Constituição, em 1988, que traz em seu bojo direitos fundamentais, como o do acesso à saúde, tida como um bem público e, por essa razão, sendo o Estado o regulador da entrega desses serviços ao povo. E assim o SUS foi criado em 1988, seguindo três princípios fundamentais: Universalidade (todos têm direito à saúde), Integralidade (medicina preventiva e medicina curativa) e a Equidade, visando a diminuir as desigualdades, considerando-se os indivíduos com maior grau de vulnerabilidade.

“O SUS vicejou de maneira muito importante: temos o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que é um grande sucesso. Igualmente, os transplantes, que são 95% pagos pelo SUS; há também o tratamento aos hemofílicos, que custa cerca de 300 milhões de dólares em medicamentos distribuídos gratuitamente; a distribuição de remédios de alto custo, a Vigilância Sanitária, que criou uma condição de acesso seguro a medicamentos, alimentos, cosméticos, serviços de saúde. O SUS melhorou muito, mas ainda há o que se aprimorar e desafios a enfrentar, como, por exemplo, aumentar os recursos financeiros a ele destinados. Na pandemia, vimos o SUS salvar o povo brasileiro, criamos uma consciência coletiva de que ele precisa continuar a existir; todos nos tornamos defensores do SUS.”

Ao final da explanação, o médico e professor foi ovacionado. Perguntas foram enviadas e respondidas, fotografias solicitadas pelos presentes. Instalou-se ali o verdadeiro sentido da missão da UNIP, conforme expresso em seu portal: “Constituir-se em um centro de geração e difusão do saber, articulando as atividades de ensino, de pesquisa e extensão, em consonância com as demandas da sociedade contemporânea e do mundo do trabalho, respeitando a diversidade e cultivando a solidariedade, a inclusão, os valores humanos e a ética”.

Gonzalo Vecina Neto cumpriu uma premissa básica da medicina, segundo sua própria afirmação: “Temos que dedicar atenção completa às pessoas, para que elas consigam encontrar seu caminho na sociedade”. 

As palavras do doutor ecoaram: “Levo para casa o desafio sobre como fazer a diferença para a sociedade. Meu sonho é atuar entre a população vulnerável, particularmente com a saúde da mulher. Desejo mostrar a essas pessoas que é possível, desde que a gente lute junto. Optei por Medicina e abraçando as populações mais vulneráveis deixa o meu coração quentinho”, aluna Debora Raabe Rocha Firmino.

“Essa palestra mostrou que o SUS é para todas as pessoas. Todo mundo usufrui do SUS de uma forma ou de outra”, aluno Luís Felipe Ribeiro.

“Assistir a uma palestra como essa nos faz refletir. Temos no palco uma autoridade da medicina, mas temos também nossos professores no dia a dia, falando sobre tudo isso. Ouvir o Drº Gonzalo foi excepcional. Saio daqui motivada. Meu sonho é fazer a diferença e estar à disposição da sociedade”, aluna Letícia Médice.

“Levo dessa palestra o aprendizado de todos os desafios que o SUS enfrentou e tudo o que ainda temos que transformar. Quero agregar meu conhecimento à sociedade, penso em cuidar das crianças, que é minha paixão. E como diz o Cortella: “Faça o teu melhor, na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda”, aluna Natália Domingues Ribeiro.

UNIP Alphaville recebe idealizador do SUS e  fundador da Anvisa para palestra

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