Psicologia e Letras promovem debate acerca do filme Tudo sobre minha mãe

 

No dia 5 de maio, os cursos de Letras e Psicologia do campus Alphaville promoveram um debate sobre o filme Tudo sobre minha mãe de Pedro Almodóvar, após a exibição da obra no Auditório Alphaville. O filme ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro, entre outros prêmios. Além de alunos dos cursos de Letras e Psicologia, estiveram também presentes ao evento alunos dos cursos de Pedagogia e Direito.

A professora Roseli Gimenes, autora de vários ensaios sobre literatura, cinema e psicanálise, sublinhou que Tudo sobre minha mãe contém todos os traços significantes do grande cineasta espanhol: o estilo kitsch na decoração dos ambientes, o contraste do grotesco e do sublime colocados lado a lado, a arquitetura das cidades espanholas, as perversões. Não fossem tantos traços da arte dentro da arte de Tudo sobre minha mãe, haveria ainda o real cotidiano. Almodóvar apresenta nesse filme as questões de seu tempo por meio da morte do personagem Esteban e do transplante de órgãos. Esteban ressuscita no real do corpo de outro homem por seus órgãos transplantados, e no simbólico, como o terceiro Esteban, filho da personagem Rosa. 

A professora Adela Judith Stoppel de Gueller, psicóloga e psicanalista, ressaltou que Almodóvar ao mostrar um transexual, uma histérica ou uma lésbica não imprime um olhar diferencial. Ele trata dessas questões com naturalidade, como se fossem contingências ou eventualidades da vida de cada um. Ela afirmou que isso tem uma intenção por parte do diretor, já que ele retrata insistentemente pessoas marginalizadas pela sociedade. Trata-se de um artifício para tocar o espectador diretamente em seus preconceitos. Almodóvar faz com que o espectador veja que aqueles sujeitos mais estranhos em aparência sofrem das mesmas questões que afetam todos os que se supõem sujeitos “normais”. O cineasta, no entanto, não se desentende com questão moral. Ele se posiciona, conforme a análise da professora Adela, não a fazendo passar diretamente pela opção sexual, que gera preconceitos já conhecidos por todos. A moral que Almodóvar prega é mais abrangente e fundamental. Colocando como tema central a doação de órgãos, ele propõe que nos aproximemos do diferente, que nos doemos ao dessemelhante, que sejamos generosos com aquele que não conhecemos e que, talvez, permaneça para sempre estrangeiro para nós. 

A professora Ana Maria Godoy, procuradora de Justiça e professora do curso de Direito, buscando fazer uma análise das questões que envolvem família, paternidade e transexualidade, sob o ponto de vista legal e com base no novo Código Civil, concluiu: “Talvez tenha faltado maturidade ou interesse aos nossos legisladores para enfrentar a difícil discussão moral e religiosa, já que envolve novos costumes ainda não difundidos em todo território nacional”.

 

 

Psicologia e Letras promovem debate acerca do filme Tudo sobre minha mãe

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