Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Patologia Ambiental e Experimental

Teses Defendidas - 2020

Título: Estudo in vitro da resposta de macrófagos na infecção com   Microsporum canis
Autor(a): Juan Justino de Araujo Neves
Orientador(a): Selene Dall'Acqua Coutinho
Data da defesa: 20/02/2020
Resumo: Os dermatófitos são fungos importantes para a saúde pública, são transmitidos entre animais e seres humanos causando zoonoses. Microsporum canis é o principal agente das dermatofitoses em cães e gatos. A imunidade inata desempenha importante papel frente à infecção contra dermatófitos; entretanto, existem poucos estudos sobre a relação entre resposta imune inata e M. canis. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar a capacidade fagocítica, microbicida e imunomoduladora de macrófagos desafiados com microconídios de M. canis. Macrófagos murinos, tratados ou não com LPS (1µg/ml), foram infectados com M. canis na proporção de 0,25:1 (microconídios/macrófagos) e cultivados por 30 min, 1 h, 3 h e 6 h. Após cada intervalo, as lamínulas foram coletadas e coradas por Giemsa, contando-se duzentas células e calculando-se a porcentagem de macrófagos que internalizaram pelo menos um microconídio. O sobrenadante foi coletado para medir os níveis de citocinas e óxido nítrico, e checou-se a viabilidade celular e o perfil dos macrófagos durante a infecção. A porcentagem de fagocitose aumentou no transcorrer do tempo, atingindo o máximo às 6 h. A porcentagem de macrófagos não estimulados com LPS que fagocitaram microconídios foi de 28,0%, 33,5%, 62,5% e 71,5%, respectivamente em 30 min, 1 h, 3 h e 6 h. Nos macrófagos estimulados com LPS esta porcentagem foi de 34,5%, 47,5%, 67,0% e 74,0%, respectivamente nos intervalos de 30 min, 1 h, 3 h e 6 h. A produção de óxido nítrico foi similar em ambos, macrófagos estimulados ou não com LPS. Níveis de TNF–α aumentaram no transcorrer do tempo em macrófagos desafiados com M. canis estimulados ou não com LPS, quando comparados com macrófagos não infectados (p<0,05).  Níveis superiores de IL-6 foram produzidos por macrófagos estimulados com LPS e infectados com M. canis no intervalo de 1 h (p<0,05). A viabilidade celular diminuiu com o tempo, com o pico de morte dos macrófagos às 6 h. O teste de microbicidade mostrou que, mesmo após a fagocitose, os microconídios de M. canis permaneciam viáveis dentro dos macrófagos. Os macrófagos mostraram um perfil M2, o qual produz uma tendência de resposta anti-inflamatória que favorece o crescimento fúngico. Macrófagos apresentaram alta atividade fagocítica frente o M. canis, a qual aumentou quando previamente estimulados com LPS. Estímulo com LPS também aumentou a produção de citocinas, sugerindo uma modulação na resposta à infecção. O aumento na produção das citocinas pró-inflamatórias TNF-α e IL-6 que são importantes no recrutamento de novas células fagocíticas e na resolução da infecção, foi observado nos macrófagos desafiados com M. canis. Os resultados sugerem que, apesar dos macrófagos apresentarem atividade fagocítica e produção de citocinas quando desafiados com M. canis, sua viabilidade e a atividade microbicida são prejudicadas, não sendo capazes de controlar a infecção.

Palavras-chave: Microsporum canis; dermatófitos; macrófagos; fagocitose; citocinas; óxido nítrico.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa: Patogenia das Enfermidades Infecciosas e Parasitárias
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Clininfec - Clínica e Doenças Infecciosas Veterinárias


Título: Características estruturais do órgão de Gené de Amblyomma sculptum Berlese, 1888 (Acari: Ixodidae) no primeiro dia de oviposição e sua participação na composição lipídica da cera dos ovos
Autor(a): Marcelo Francisco dos Santos
Orientador(a): Maria Anete Lallo
Data da defesa: 28/02/2020
Resumo: O órgão de Gené (OG) secreta uma cera sobre os ovos que reduz a perda de água e possui propriedades antimicrobianas. Neste estudo, foi descrita a morfologia do OG de A. sculptum no 1º dia de oviposição (dovip) bem como foram identificados os lipídios neutros encontrados no órgão e na cera. Os resultados morfológicos mostraram que no 1º dovip as células glandulares do OG sintetizam proteínas. Por outro lado, pontualmente, foram notadas células glandulares necróticas e mitocôndrias, com sinais iniciais de degeneração, confirmando o início da senescência dessas células. As análises dos lipídios neutros mostraram que as glândulas craniais e caudais possuem perfis idênticos indicando, dessa forma, que a individualização entre elas é simplesmente anatômica. Ainda, os lipídios encontrados nas glândulas craniais e caudais foram os mesmos encontrados na cera mostrando que o OG possui uma função importante na síntese final da fração lipídica da cera do ovo.

Palavras-chave: Ixodideo; Amblyomma sculptum; Órgão de Gené; Primeiro dia de oviposição; Lipídios; Cera do ovo.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa: Patogenia das Enfermidades Infecciosas e Parasitárias
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:


Título: Administração de Luffa operculata em ratos wistar adultos e jovens adultos e em ratas adultas pós reprodução
Autor(a): Cinthia dos Santos Alves Rocha
Orientador(a): Ivana Barbosa Suffredini
Data da defesa: 02/06/2020
Resumo: Luffa operculata, popularmente conhecida como buchinha-do-norte, é uma planta usada no combate à sinusite e também para interromper a gravidez. A influência da administração de 1,0mg/kg do extrato aquoso de buchinha-do-norte (EBN) em ratas prenhes (GD17 a GD21) foi analisada, bem como em machos da geração F1, comparados a machos F0. Foi realizada uma avaliação comportamental das fêmeas da geração F0 e dos machos da geração F1 em aparelho de campo aberto e em caixa claro-escuro. Nos machos F1 foram analisadas alterações dos índices de corticosterona, hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), melatonina e testosterona séricas, análise das citocinas Il-1α, Il-1β, Il-6 e TNF-α, e análise macroscópica e microscópica dos testículos. Os machos F1 (grupos controle e tratado CGF1 e EGF1) tiveram seus parâmetros comparados aos parâmetros dos machos F0 (grupos controle e tratado CGF0 e EGF0). As ratas da geração F0 tratadas com EBN apresentaram diminuição em parâmetros comportamentais na caixa claro-escuro, com aumento de peso das fêmeas e dos machos da geração F1 dos grupos tratados.
Os machos F1 não apresentaram alterações comportamentais significativas em relação aos machos F0. Os testículos de F1 não apresentaram alterações macroscópicas significativas, porém as alterações microscópicas foram mais significativas para os machos F0 tratados do que para os F1. Para os F1, as células de Leydig apresentaram-se em menor número nos machos EGF1. O número de células de Leydig diminuídas não influenciou na quantidade de testosterona produzida por machos F1, em relação aos machos F0. As citocinas IL-1 α e IL-6 apresentaram-se aumentadas em CGF0, corticosterona, diminuída em CGF0, ACTH diminuído em EGF1 e melatonina aumentada em EGF1. A administração direta de EBN em ratas prenhes influenciou o comportamento e o peso de fêmeas F0 e de machos F1. Nos machos F1, em relação aos F0, não foram observadas diferenças comportamentais, hormonais, inflamatórias ou morfo-histológicas significativas nos machos F1 que receberam EBN por via transgeracional. A administração transgeracional de EBN mostrou-se menos prejudicial sobre os parâmetros observados nos ratos da geração F1 do que sobre os mesmos parâmetros observados nos ratos da geração F0, que receberam EBN por gavagem. Conclui-se, portanto, que a administração direta de EBN causa alterações comportamentais e fisiológicas, tanto em machos quanto nas fêmeas.

Palavras-chave: buchinha-do-norte; testículos; citocinas inflamatórias; comportamento, hormônios.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa:Modelos em neuropsicofarmacologia, toxicologia e patologia
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:


Título: Ocorrência de Malassezia pachydermatis no microbioma cutâneo de tutores de cães com malasseziose e pessoas que não convivem com animais
Autor(a): Joelma Moura Alvarez
Orientador(a): Selene Dall'Acqua Coutinhoi
Data da defesa: 19/06/2020
Resumo: Malassezia spp. são leveduras que compõem o microbioma cutâneo de animais e do homem, podendo eventualmente causar infecções. Em cães, as infecções são particularmente associadas a M. pachydermatis, que é zoofílica e não lipodependente. Embora a malasseziose não seja considerada zoonose, se aventou a possibilidade da transmissão da doença a neonatos por profissionais de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) que possuíam cães. Há poucos estudos sobre a ocorrência de intercâmbio de espécies de Malassezia entre animais e homens que mantenham contato estreito. O objetivo deste trabalho foi isolar espécies de Malassezia em cães com otite e/ou dermatite, verificando-se a relação com as espécies encontradas no tutor. Foram estudados 18 cães com sinais condizentes com a infecção, dos quais foram colhidas amostras de conduto auditivo e pelame. De seu tutor, foram colhidas três amostras clínicas, da região superior do tronco, retroauricular e couro cabeludo. Em paralelo, foram colhidas amostras clínicas das mesmas regiões de 24 pessoas que não mantinham contato com animais (não-tutores). As amostras foram isoladas em meio de Dixon modificado e a identificação fenotípica realizada por macro e micromorfologia e provas bioquímicas. Após extração do DNA, o gene 26S rDNA foi amplificado através de PCR. Isolou-se Malassezia spp. em 77,8% (14/18) dos cães com sinais clínicos condizentes com malasseziose. Não se verificou predileção por sexo ou faixa etária. Malassezia spp. foram verificadas em porcentagens similares em pessoas que conviviam e que não conviviam com cães, respectivamente, 78,6% (11/14) e 83,3% (20/24). Malassezia pachydermatis foi a espécie mais prevalente em cães, sendo verificada em 95,7% (22/23) dos isolados. Em relação às pessoas, M. pachydermatis foi a espécie mais frequente no microbioma cutâneo dos tutores e representou 66,7%% (10/15) das cepas isoladas nas amostras clínicas, e Malassezia lipodependente 33,3% (5/15). Malassezia pachydermatis foi isolada dos três sítios amostrados, couro cabeludo, tronco superior e região retroauricular. Quanto aos indivíduos que não conviviam com cães, M. pachydermatis não foi isolada, verificando-se apenas Malassezia lipodependentes. Estatisticamente o fator ”convivência com cães” influenciou na presença de M. pachydermatis, espécie considerada zoofílica, no microbioma cutâneo dos tutores (p<0.05). Os resultados obtidos nesta pesquisa comprovam que há alteração no microbioma cutâneo das espécies de Malassezia em pessoas que convivem com cães com malasseziose.

Palavras-chave: Malassezia sp; Malasseziose; Otite; Dermatite; Tutores; Zoonose
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa:Patogenia das enfermidades infecciosas e parasitárias
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Clininfec - Clínica e Doenças Infecciosas Veterinárias


Título: Encephalitozoon cuniculi utiliza a eferocitose como mecanismo de evasão da imunidade    
Autor(a): Luciane Costa Dalboni
Orientador(a): Maria Anete Lallo
Data da defesa: 30/06/2020
Resumo: Os microsporídios são reconhecidos como patógenos oportunistas em indivíduos com imunodeficiências, especialmente de células T. Estudos tem demonstrado participação importante de macrófagos no início da infecção, embora a atividade de linfócitos T CD8+ seja primordial para eliminação desses patógenos, macrófagos e outras células da imunidade inata apresentam um papel critico na ativação da imunidade adquirida. Apos a morte programada, fragmentos celulares ou corpos apoptoticos sao depurados por células fagociticas, fenômeno denominado eferocitose e que tem sido reconhecido como forma de evasão da imunidade por patógenos intracelulares. Diante do exposto, o objetivo do presente estudo foi avaliar o impacto da eferocitose de células apoptoticas infectadas ou nao em macrófagos desafiados com o microsporídio Encephalitozoon cuniculi. Para tal, macrofagos, obtidos a partir de monócitos de medula óssea de camundongos C57BL, foram pré-incubados com células Jurkat apoptotica (ACs) e então desafiados com esporos de E. cuniculi. Os mesmos procedimentos foram realizados para experimentos utilizando células Jurkat previamente infectadas (IACs) com esporos de E. cuniculi antes da pré-incubação de macrófagos. Foram contabilizados os macrófagos em fagocitose e o número médio de esporos internalizados pelos mesmos pela técnica de Calcofluor. A expressão de CD40, CD206, CD80, CD86 e MHCII foram mensuradas por citômetria de fluxo, assim como as citocinas liberadas nos sobrenadantes das culturas. O estudo ultraestrutural foi realizado para analise das formas de multiplicação do patógeno. Macrófagos pré-incubados com ACs desafiados com E. cuniculi apresentaram maior porcentagem de fagocitose e media de esporos internalizados e presença de estágios de multiplicação do patógeno no interior dos macrófagos, particularmente apos a eferocitose de corpos apoptoticos infectados. Adicionalmente, a pré-incubação com ACs ou IACs e/ou o desafio com o patógeno diminuiu a viabilidade dos macrófagos, marcada por altas porcentagens de apoptose. Embora com expressão aumentada de CD40 e liberação de citocinas proinflamatórias, foi a expressão acentuada de CD206 e a liberação de grandes quantidades de IL-10 e IL-6 que indicou a polarização dos macrófagos para um perfil M2, compatível com eferocitose e a permissividade ao desenvolvimento do patógeno. Nos concluímos que o patógeno se favoreceu com a eferocitose e polarizou os macrófagos para um perfil M2, o que permitiu a sobrevivência e multiplicação do E. cuniculi no interior de macrófagos, fato que pode explicar a possibilidade de macrófagos atuarem como cavalos de Troia nas microsporidioses.

Palavras-chave: Células jurkart; macrófagos medulares; fagocitose; apoptose; Encephalitozoon cuniculi; microsporídios.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa:Patogenia das enfermidades infecciosas e parasitárias
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Clininfec - Clínica e Doenças Infecciosas Veterinárias


Título: O estresse materno induz na prole de ratos jovens comportamentos tipo-depressivo-ansioso e resiliência ao estresse: implicações da limitação das condições do ninho
Autor(a): Tiberiade Mendes Lima
Orientador(a): Maria Martha Bernardi
Data da defesa: 13/08/2020
Resumo: Mendes-Lima, 2020. O estresse materno induz na prole de ratos jovens comportamentos tipo-depressivo-ansioso e resiliência ao estresse: implicações da limitação das condições do ninho. 86 f.. Orientação: Prof. Dra. Maria Martha Bernardi, Doutorado (Patologia Ambiental e Experimental) Universidade Paulista, São Paulo, 2020. A diminuição ou ausência do cuidado materno é denominada negligência materna, que pode ser entendida como uma situação de constante omissão para com a criança ou adolescente que coloque em risco seu desenvolvimento. O objetivo deste trabalho foi analisar em um modelo animal de negligência materna, a limitação das condições do ninho de ratas (LCN) na lactação, no desenvolvimento, comportamento e níveis de corticosterona da prole masculina de ratas observadas na idade juvenil. Também foram investigados o desempenho reprodutivo das fêmeas e a sobrevida da prole, bem como o comportamento maternal e níveis de corticosterona. Na prole, observou-se o desenvolvimento físico, reflexológico e ponderal. Entre os dias 30-31 de vida, a prole masculina das ratas foi observada quanto à atividade geral em campo aberto, nos testes de transição em caixa-claro-escuro, natação forçada e comportamento social na infância. Após estas avaliações, os níveis de corticosterona sérica da prole foram também dosados. Os resultados mostraram que em relação ao grupo controle: 1) as fêmeas lactantes submetidas à LCN apresentaram melhores escores de qualidade do ninho, nenhuma modificação no comportamento maternal voltado aos filhotes, porém aumento no grooming e dos níveis séricos de corticosterona. Ainda foi verificada menor porcentagem de sobrevivência da prole exposta à LCN; 2) a prole submetida à LCN apresentou prejuízos no desenvolvimento físico e de reflexos, com adiantamento do dia de erupção dos dentes incisivos e do dia de endireitamento postura, atraso no desenvolvimento de pelos, no dia de descida dos testículos e do reflexo de preensão palmar; 3) aos 31 dias de idade, a prole exposta à LCN apresentou menor peso corporal, comportamento tipo-ansiedade e tipo-depressivo e redução dos níveis séricos de corticosterona. A LCN não modificou a atividade geral observada em campo aberto e o comportamento social desta prole. Os resultados sugerem que a LCN promova o estresse materno, causando prejuízos na programação perinatal do desenvolvimento da prole e, em período precoce da vida desta prole, aumento de comportamento tipo-ansiedade e de comportamento tipo-depressivo e resiliência ao estresse.

Palavras-chave: ratos; comportamento maternal; desenvolvimento da prole; comportamento animal; idade juvenil.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa:Patologia Integrada e Translacional