Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Patologia Ambiental e Experimental

Teses Defendidas - 2017

Título: Papel de células B-1 sobre atividade de células fagocíticas em infecção por Encephalitozoon cuniculi
Autor(a): Adriano Pereira
Orientador(a):
Data da defesa: 29/02/2017
Resumo: Microsporídios são micro-organismos unicelulares, intracelulares obrigatórios e causam a doença denominada de microsporidiose no homem e em outros animais. O Encefalitozoon cuniculi é uma das espécies que provoca infecção extraintestinal no homem e há relatos de infecção disseminada em indivíduos imunossuprimidos, por exemplo, pelo vírus HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana). Em vários países há estudos experimentais in vivo e in vitro com E. cuniculi publicados e sendo desenvolvidos com modelos animais e culturas de células. A resposta imunológica íntegra é importante na defesa contra a infecção pelo E. cuniculi, fato evidenciado pelos relatos de casos de encefalitozoonose disseminada em indivíduos imunossuprimidos. Sabe-se que a resposta imune celular, os anticorpos e macrófagos contribuem para a eliminação dos esporos de E. cuniculi. Desta forma, neste projeto está sendo avaliada in vitro a participação de células B-1 no processo de fagocitose do E. cuniculi por macrófagos por meio do estudo das culturas de células provenientes de lavados peritoneais de camundongos BALB/c e XID inoculadas com microsporídios por (1) microscopia de luz em cortes semifinos corados com azul de toluidina, (2) microscopia eletrônica a partir de cortes ultrafinos, (3) dosagem de óxido nítrico do sobrenadante das culturas e (4) quantificação das citocinas. Acredita-se que a célula B-1 tem influência sobre os macrófagos nos processos de fagocitose e eliminação dos microsporídios já que existem trabalhos iniciais publicados demonstrando a ação reguladora desta célula sobre a função dos macrófagos.

Palavras-chave: Célula B-1; Encephalitozoon cuniculi; Imunidade Inata; Macrófagos.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa: Patogenia das Enfermidades Infecciosas e Parasitárias
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Clininfec - Clínica e doenças infecciosas veterinária


Título: Aspectos comportamentais, neuroquímicos e imunológicos em camundongos com mutação espontânea tipo tremor
Autor(a): Flávio Buratti Gonçalves
Orientador(a): Maria Martha Bernardi
Data da defesa: 06/12/2017
Resumo: O tremor é uma desordem de movimento frequentemente encontrado na prática clínica e associado a inúmeras disfunções motoras. Objetivo: avaliar o fenótipo da disfunção motora, assim como os aspectos morfológicos, neuroquímicos e imunológicos em camundongos Swiss com mutação espontânea, caracterizada por tremores contínuos, ataxia e convulsões tônicas audiogênicas. Métodos: avaliação do comportamento e da disfunção motora dos camundongos TR em diferentes idades, por meio da caixa de observação e em plataforma inclinada, a composição de mielina em diferentes áreas do cérebro, a atividade de astrócitos, pela expressão da proteína ácida fibrilar glial (GFAP), os níveis de citocinas periféricas e avaliação dos níveis de dopamina estriatal (DA) e de seus metabólitos. Resultados: o camundongo TR apresentou tremores contínuos, menor tempo de locomoção e da frequência do levantar. Além disso, apresentou um maior tempo de imobilidade, de latência para atingir o topo da rampa, maior tempo com a cauda elevada acima da linha do dorso e para realizar movimento de geotaxia negativa. Estas disfunções motoras progrediram com a idade. Não foram observadas diferenças na morfologia da mielina, bem como na expressão de GFAP e nos níveis de citocinas periféricas. Foram detectados níveis aumentados de DA e de seus metabólitos no estriado bem como no turnover de DOPAC/DA. Conclusões: o mutante TR apresentou bradicinesia associada à instabilidade postural, menor alcance de movimento e dificuldade para iniciar movimentos voluntários que progrediram com a idade. Este fenótipo foi atribuído a uma maior atividade dopaminérgica.

Palavras-chave: Tremor; Disfunção Motora; Dopamina; Camundongo Mutante; Bradicinesia.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa: Modelos Experimentais em Patologia e Toxicologia
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Toxicologia do sistema nervoso central


Título: Influência do estresse em ratos jovens tratados com ivermectina: estudos comportamentais e bioquímicos
Autor(a): Débora Pedrolo Parisi
Orientador(a): Maria Anete Lallo
Data da defesa: 13/12/2017
Resumo: A ivermectina é um dos antiparasitários mais utilizados no mundo. Nosso grupo tem revelado diversos prejuízos comportamentais e neuroquímicos induzidos pelo tratamento de ratos adultos com doses terapêuticas de ivermectina. Os efeitos nos jovens são desconhecidos, embora ela venha sendo prescrita para jovens humanos, pets e animais de criação, os quais ainda apresentam notável desenvolvimento e podem ser mais susceptíveis a intervenções medicamentosas. Foram estudados os efeitos comportamentais e neuroquímicos de duas doses terapêuticas (0,2 e 1,0 mg/kg) de ivermectina em ratos jovens. O fator estresse também foi estudado, já que ele é subestimado nas prescrições médicas. As duas doses de ivermectina induziram hiperatividade nos ratos, sendo o efeito da dose maior mais marcante. A associação de 1,0 mg/kg de ivermectina com o estresse induziu hipolocomoção nos ratos. A dose de 1,0 mg/kg de ivermectina associada ou não ao estresse exacerbou a socialização dos ratos jovens. A ivermectina não afetou nem os níveis de ansiedade, nem os níveis de corticosterona dos ratos. Os achados comportamentais motores e exploratórios induzidos após a associação da ivermectina com o estresse parecem ter sidos desencadeados pelo aumento na atividade do sistema serotoninérgico estriatal. A associação da ivermectina com o estresse aumentou os níveis de dopamina estriatal, o que aumentou o comportamento (excessivo) de brincar social. Os resultados sugerem uma revisão no uso da ivermectina ou de sua dose prescrita durante a juventude de humanos e pets. O fator estresse deve ser considerado para as prescrições médicas, pois ele pode exacerbar os prejuízos comportamentais e neuroquímicos induzidos pelas doses terapêuticas de ivermectina.

Palavras-chave: Avermectinas; Período pré-púbere; Ansiedade; Comportamento de brincar; Corticosterona; Monoaminas.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa: Modelos Experimentais em Patologia e Toxicologia
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:


Título: Modulação da interação entre macrófagos e células de adenocarcinoma mamário murino pelo medicamento homeopático Carbo animalis in vitro
Autor(a): Thayná Neves Cardoso
Orientador(a): Leoni Villano Bonamin
Data da defesa: 13/12/2017
Resumo: Apesar do desenvolvimento de novas técnicas terapêuticas, o câncer ainda é uma das doenças que mais causa mortes no mundo. Paralelamente, a redução da qualidade de vida do paciente oncológico, tanto pelo progredir da doença quanto pelos efeitos colaterais dos tratamentos convencionais, é um fato relevante. Assim sendo, as terapias complementares têm sido de grande valia no auxílio ao tratamento de pacientes oncológicos. Resultados prévios sobre o papel do medicamento homeopático Carbo animalis (CA) na resposta imune de camundongos portadores de tumor de Ehrlich indicaram modificações na migração de macrófagos e células B1 (progenitoras) para sítio primário do tumor, implicando mudanças na expressão de sintomas pelos animais. Contudo, a literatura sobre esse tema é ainda rara e os mecanismos de ação envolvidos, obscuros. Neste trabalho, avaliamos parâmetros morfofuncionais de macrófagos RAW 264.7, em cocultura com células 4T1 (adenocarcinoma murino), após o tratamento com CA em diferentes potências (6cH, 30cH e a mistura de ambas, chamada de MIX). Assim, a morfologia, a produção de óxido nítrico e a produção de citocinas/quimiocinas (IL1-α, IL-1β, IFN-γ, IL-10, IL-6, VEGF-A, TNF-α, RANTES/CCL5, GM-CSF, IL12-p40, IL12-p70, MIP-1 β/CCL4, MCP-1/CCL2) foram analisadas. A cocultura de macrófagos e células 4T1 exibiu redução do número de células por poço, após seis horas de incubação, em comparação à monocultura de macrófagos, sugerindo que as células 4T1 provavelmente exercem papel inibitório sobre os mesmos. Esse padrão de interação foi parcialmente revertido pelo tratamento com CA 6cH. O tratamento com MIX, ao contrário, reduziu ainda mais o número de células por poço, sugerindo certa citotoxicidade. Em paralelo, notou-se aumento significativo na produção de IL12-p40 apenas nas células tratadas com CA 6cH, corroborando os resultados obtidos anteriormente in vivo. Os dados obtidos nesse estudo indicam a atividade imunomoduladora do CA sobre macrófagos presentes no microambiente tumoral, com ênfase na produção de IL12-p40 e ainda evidenciam a importância da diluição na especificidade dos efeitos. O papel citotóxico do MIX ainda merece estudos futuros.

Palavras-chave: Macrófagos RAW 264.7; 4T1; Homeopatia; Citocinas; Morfologia; Carbo animalis; Oncologia.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa: Biologia da diferenciação e transformação celulares: modulação por fatores endógenos e exógenos
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Toxicologia do sistema nervoso central


Título: Água da represa Billings usada para o consumo humano apresenta contaminantes microbiológicos e induz prejuízos comportamentais e astrogliose em zebrafish
Autor(a): Ednilse Leme
Orientador(a): Maria Anete Lallo
Data da defesa: 20/12/2017
Resumo: A represa Billings é o maior reservatório de água da Região Metropolitana de São Paulo, mas somente uma pequena parte é utilizada para o abastecimento de água. Recentemente, a Região Metropolitana de São Paulo enfrentou a maior crise hídrica já documentada. Desse modo, deveríamos considerar a intensificação do uso da represa Billings. O objetivo deste estudo foi avaliar a qualidade da água de diferentes pontos da represa Billings relacionados ao consumo humano (abastecimento de água e pesca): Rio Pequeno, Rio Grande e Bororé. Foram realizados testes microbiológicos e físicos nas amostras de água. Zebrafish foram expostos a estas águas e seus comportamentos foram avaliados. Estudamos também a expressão de proteína glial fibrilar ácida (GFAP), que está relacionada a processos neuroinflamatórios. As amostras de água do Rio Pequeno, Rio Grande e Bororé apresentaram contaminação por Escherichia coli e bactérias heterotróficas. As águas do Rio Pequeno induziram prejuízos motores/exploratórios e comportamento tipo-ansiogênico nos zebrafish. As águas do Bororé induziram comportamentos nos zebrafish relacionados a prejuízos respiratórios (hipóxia), assim como maior resposta de alarme. Os zebrafish expostos às águas do Bororé também apresentaram astrogliose, que parece ter ocorrido em decorrência da alta contaminação por bactérias heterotróficas. Considerando os presentes resultados de contaminação microbiológica e prejuízos comportamentais e astrogliose em zebrafish, as águas do Rio Pequeno, Rio Grande e Bororé deveriam ser consideradas como inaceitáveis para o uso humano na sua forma não tratada. A companhia de saneamento básico deveria considerar processos rigorosos de tratamento microbiológico das águas. A autorização para a pesca no Bororé deveria ser repensada.

Palavras-chave: Abastecimento de água; Qualidade da água; Danio rerio; Ansiedade; Neuroinflamação.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa: Modelos Experimentais em Patologia e Toxicologia
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:


Título: Identificação e caracterização das células do sistema imune presentes no microambiente tumoral do melanoma subconjuntival e cutâneo em modelo murino
Autor(a): José Renildo de Carvalho
Orientador(a): Elizabeth Cristina Perez Hurtado
Data da defesa: 21/12/2017
Resumo: Em termos simples, o câncer é um conjunto de doenças que se desenvolve ao longo dos anos. Na atualidade, é a segunda doença que mais causa óbitos no mundo, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. O desenvolvimento do câncer é um processo complexo, caracterizado pelo acúmulo de alterações genéticas e epigenéticas que dirigem o tumor à progressão. Dentre os cânceres, o de pele é o mais incidente na população brasileira. Entretanto, o melanoma, que representa só 4% das neoplasias malignas deste órgão, é o que mais vem causando óbitos devido à sua alta capacidade metastática. Estudos recentes têm demonstrado que a agressividade da maioria dos tumores é devida às interações das células tumorais com os demais componentes do microambiente no qual o tumor se desenvolve. Assim, com o intuito de avaliar a influência do microambiente tumoral no desenvolvimento do melanoma, foi realizada a identificação e caracterização das células do sistema imune presentes no microambiente tumoral em dois modelos experimentais de melanoma murino: cutâneo e subconjuntival (Artigo 1). Além desse trabalho, aqui também apresentamos uma revisão sistemática sobre melanoma, na qual foram utilizados vários artigos consultados para a realização da pesquisa do microambiente tumoral (Artigo 2).

Palavras-chave: Microambiente Tumoral; Melanoma Cutâneo; Melanoma Subconjuntival; Células do Sistema Imune; IL-6; Meta-análises.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa: Modelos Experimentais em Patologia e Toxicologia
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Biologia da diferenciação e transformação celulares: modulação por fatores endógenos e exógenos


Título: Susceptibilidade à infiltração bacteriana na interface de três modelos de implante-componente protético: cone Morse, hexágono externo e hexágono interno
Autor(a): Alexandre Cavalcante de Queiroz
Orientador(a): Maria Anete Lallo
Data da defesa: 22/12/2017
Resumo: O objetivo da presente pesquisa foi o de investigar a probabilidade da infiltração bacteriana de Staphylococcus aureus (Sau) e Streptococcus mutans (Smut) por meio da interface implante-componente protético. Utilizaram-se três grupos de teste consistidos das conexões hexágono interno (HI; n = 10), hexágono externo (HE; n = 10) e cone Morse (CM; n = 10), além de um grupo controle (n = 1) definido para cada grupo de teste. Foram adicionadas 100 µl de ambas as suspensões de bactérias em placas de Petri contendo 15 mL de ágar MH, incubadas a 36.5o C por 24h. As unidades formadoras de colônias foram obtidas e os resultados foram comparados entre os grupos. Os resultados mostraram que a conexão HE e HI foram significativamente mais eficazes em evitar a infiltração de Sau, sendo que um número expressivamente maior de bactérias foi observado no implante do tipo CM, em relação ao do tipo HE (p < 0,001) e do tipo HI (p < 0,01), sem diferenças estatisticamente significantes entre os implantes HE e HI (p > 0,05). Para a infiltração de Smut as diferenças foram observadas entre o grupo CM e o grupo HE (p < 0,001) e entre os grupos CM e HI (p < 0,001), com maior infiltração para o grupo CM. É possível concluir que as conexões HE e HI mostraram-se mais eficazes na prevenção de infiltração bacteriana e que a técnica proposta “Dimas, Alexandre e Ivana (DAI)” é viável para avaliar a infiltração de micro-organismos por meio da interface implante-pilar protético.

Palavras-chave: Biofilme; Cone Morse; Hexágono Externo; Hexágono Interno; Implante; Infiltração Bacteriana.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental
Linha de Pesquisa: Modelos Experimentais em Patologia e Toxicologia
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: