Campus Cidade Universitária sedia o Segundo Evento Científico de Letras

No dia 11 de maio, no campus Cidade Universitária, o curso de Letras, presencial e interativo (Ensino a Distância – EaD), realizou o Segundo Evento Científico de Letras. Abordando o tema Inteligência Artificial e Educação, o evento contou com o apoio do curso de Jornalismo, com a colaboração da diretora da unidade, Sandra Kuka, e com o professor Bruno César como mestre de cerimônias.

A abertura foi realizada pelas organizadoras do evento Roseli Gimenes, coordenadora geral de Letras, e Cielo G. Festino, coordenadora de Letras da UNIP Interativa. As coordenadoras marcaram presença no cerimonial representando também a diretora do Instituto de Ciências Sociais e Comunicação e a diretora da UNIP EaD, professoras Marisa Regina Paixão e Elisabete Brihy, respectivamente.

Em seguida, na primeira sessão de debates, a professora Dora Kaufman discutiu o tema Inteligência Artificial: separando ficção da realidade, com mediação de Roseli Gimenes. Doutora pela USP e pós-doutoranda em TIDD pela PUC-SP, com foco nos impactos sociais da Inteligência Artificial, Kaufman é autora da obra A inteligência artificial irá suplantar a inteligência humana?

Segundo a palestrante, a Inteligência Artificial tem ganhado cada vez mais destaque nos últimos anos, sobretudo com a velocidade com que a tecnologia chega às pessoas por meio das mídias, séries e filmes que abordam o tema. “Mesmo aqueles que não têm ideia do que se trata estão sofrendo, e sofrerão cada vez mais, os impactos da Inteligência Artificial. No entanto, é preciso separar o que é realidade e o que é ficção. Os filmes, em geral, relacionados ao tema contribuem negativamente porque criam um medo com o qual não deveríamos estar preocupados, tal como robôs que ‘ameaçam’ a espécie humana. A preocupação que devemos ter é com questões muito mais básicas, como o impacto no mercado de trabalho e as questões éticas. Por isso, devemos entender minimamente o que é a Inteligência Artificial hoje”, ressaltou Dora Kaufman.

Impactos estão acontecendo em todos os setores do mercado de trabalho e de maneira muito rápida. Hoje, a Inteligência Artificial pode substituir o ser humano em tudo que é rotineiro e previsível. Nesse sentido, Kaufman observou que os novos modelos de negócio não são intensivos de mão de obra, mas sim de tecnologia. Desse modo, os profissionais com funções preservadas necessitam ter acesso a informações para adequar-se ao trabalho compartilhado entre homem e máquinas inteligentes.

A segunda sessão, mediada pelo professor Bruno César, trouxe as palestras PISA: o que é e quais são os resultados do Brasil, com a professora da UNIP, Christiane Mázur Doi, e Transformação digital e adoção da Inteligência Artificial na Educação, com o diretor de tecnologia do grupo UNIP-Objetivo, Marcello Vannini.

Christiane Doi, doutora em Engenharia Metalúrgica e de Materiais e licenciada em Matemática, explicou como funciona o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), realizado a cada três anos com o propósito de avaliar o desempenho escolar de jovens entre 15 e 16 anos. Apresentando os últimos resultados, a professora destacou que o “Brasil participou de todas as edições do PISA, como país convidado, e que de 2012 para 2015 teve uma queda expressiva: nas três áreas avaliadas, Matemática, Leitura e Ciências, os estudantes brasileiros ficaram no nível mais baixo de desempenho, o nível 1.”

Para Christiane Doi, as cerca de 7 mil horas que o estudante brasileiro, em princípio, passa no Ensino Fundamental, parecem não estar dando conta de resolver os problemas do ensino. O que a levou a questionar: “Quais transformações foram realizadas nesse tempo? O que foi agregado às crianças? Houve desenvolvimento da capacidade de argumentação e capacidade crítica? Em Matemática, por exemplo, só se aplica fórmulas?” Segundo a professora, é preciso ter a “noção de que ensinamos para que a pessoa exerça sua cidadania. E a competência da leitura é a condição fundamental para resolvermos qualquer problema. Sem interpretação de texto não formulamos soluções, geramos apenas improdutividade, desigualdade e falta de competitividade. Não há outro caminho para nos desenvolvermos como nação que não seja pela Educação, mas não essa Educação que coloca metas meramente formais de acesso.”

O diretor de tecnologia Marcello Vannini, por sua vez, abordou as implicações da transformação digital na Educação, apontando uma percepção promissora para os profissionais da área. De acordo com o responsável pelo desenvolvimento tecnológico da UNIP EaD, das faculdades associadas e do Colégio Objetivo, o Grupo UNIP-Objetivo já tem desenvolvido iniciativas tecnológicas que visam contornar alguns dos problemas levantados pela palestrante Dora Kaufman.

Para Vannini, “a Inteligência Artificial (IA) irá, sim, substituir várias profissões, exceto a dos profissionais da área de Educação. É nisto que acreditamos como empresa educacional: a IA está ligada ao processo de Educação e ela vai apoiar os educadores.” Ainda segundo o diretor, “está no DNA do Grupo UNIP-Objetivo a produção de conteúdo, com um legado de 50 anos de produção de dados. Toda essa geração de conteúdo precisa realimentar nosso processo educacional e é aí que a IA nos ajuda.”

O palestrante destacou que a transformação digital passa pelo mindset de todas as áreas de uma empresa educacional, de uma escola etc., menos da tecnologia. A tecnologia é apenas o meio, não é a transformação digital em si. Por isso, é mais importante o professor olhar para o pedagógico do que para o tecnológico quando pensa em transformação digital, pois o computador apenas faz parte do processo de como o educador vai usar essa ferramenta em sala de aula. “Se não tivermos o pedagógico formando o conjunto, a transformação digital não ocorre nem numa empresa de Educação nem na padaria da esquina, não ocorre em lugar algum”, concluiu Vannini.

O Segundo Evento Científico de Letras contou com cerca de 500 participantes, entre alunos de Letras dos campi de São Paulo capital, Campinas, Santos, São José dos Campos, Sorocaba, e dos cursos de Pedagogia, Jornalismo e Direito. Toda a sua programação foi transmitida aos alunos de Letras EaD pela TV WEB UNIP. Ao final, as organizadoras agradeceram a presença e a participação de todos, encerrando o evento com distribuição de livros aos estudantes.

Estiveram presentes as coordenadoras do curso de Letras Joana Ormundo, Lígia Menna, Simone Gonzalez, Ivani Abib Vecina, Andréa de Barros, Florcema Bacelar, Mônica Oliveira; os coordenadores do curso de Jornalismo Fernando Perillo, Sérgio Braga e Marcos Moretti; e os professores Fernanda de Sá Granja, Ilka Rezende Teixeira, Edna Tarabori, Márcia Selivon, Adílson de Oliveira, Adelaide Ferreira Margato, Edna Mercado, Deborah Paula Gomes, Silvana Nogueira Rocha, Milton Gabriel Jr., Murilo Mendes, Hiromi Shibata, Sandreilane Cano da Silva, Cassia Catanzariti, Solange Gervai, Roni Delfino, Andrea Luísa dos Santos, Luciane Cristina Del Ben, Ricardo José Sanctis, Denise Durante, Cláudia Menezes da Cruz, Mônica Mandaji, Palma Rigolon e Sueli Salles.

O evento contou ainda com o apoio de toda a equipe da TV WEB UNIP; da supervisora de Planejamento da EaD, Ana Paula Menezes, e toda sua equipe; da equipe de Tutoria; das assistentes dos cursos de Letras, especialmente Vanessa Pezani, e Serviço Social; e com o trabalho de design do professor Alexandre Ponzetto.