Título: Terapia celular adotiva: o potencial de linfócitos B-1 na modulação da glicemia e preservação do pâncreas endócrino no diabetes experimental
Autor(a): Ana Paula Soares da Silva
Orientador(a): Profa. Dra. Anuska Marcelino Alvares Saraiva
Data: 10/06/2026
Resumo: O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células β pancreáticas, resultando em deficiência de insulina e comprometimento da homeostase glicêmica. Estudos têm demonstrado que os linfócitos B-1 desempenham funções imunorreguladoras importantes e podem atuar na prevenção do diabetes autoimune experimental. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da transferência adotiva de linfócitos B-1 reprogramados metabolicamente sobre parâmetros glicêmicos, histopatológicos e imunológicos em camundongos XID submetidos à indução experimental do diabetes por estreptozotocina (STZ). Os animais foram distribuídos em grupos tratados com linfócitos B-1 produtores de insulina em diferentes momentos, precocemente ou após o estabelecimento do diabetes induzido. Foram avaliados quanto ao peso, evolução da glicemia, teste de tolerância à glicose intraperitoneal (TTGip), distribuição de linfócitos B-1 em diferentes tecidos, rastreio das células transferidas, morfologia pancreática e expressão de insulina nas ilhotas pancreáticas. A indução do diabetes por STZ promoveu hiperglicemia persistente, intolerância à glicose e alterações estruturais severas nas ilhotas pancreáticas. A transferência adotiva de linfócitos B-1 reprogramados resultou em respostas heterogêneas entre os animais, sendo observados indivíduos respondedores e não respondedores ao tratamento. Os animais respondedores apresentaram melhor controle glicêmico, bem como melhor capacidade de recuperação glicêmica após sobrecarga de glicose. Além disso, exibiram melhor preservação da arquitetura pancreática, com presença de ilhotas mais organizadas morfologicamente e imunomarcação compatível com a produção residual de insulina. Em contrapartida, os animais não respondedores apresentaram perfil semelhante ao grupo diabético não tratado, caracterizado por hiperglicemia persistente, elevada AUC e maior comprometimento estrutural pancreático, apesar da presença de insulina no tecido pancreático. A análise morfométrica das ilhotas não demonstrou diferenças estatisticamente significativas entre os grupos para área e perímetro, embora tenha sido observada tendência de melhor preservação morfológica em parte dos animais respondedores. A avaliação fenotípica revelou aumento da frequência de linfócitos B-1 no peritônio dos grupos tratados, no entanto, a análise individual demonstrou ausência dessas células no peritônio de animais respondedores, enquanto aumentavam no fígado, diferentemente do observado em animais não respondedores. No baço foi observada redução significativa dessa população em comparação ao grupo STZ, sugerindo possível modulação da resposta imune sistêmica após a transferência adotiva. A análise morfológica do inóculo revelou o surgimento de uma população celular de menor tamanho, presente com maior frequência do que os linfócitos esperados pelo cultivo padrão. Em conjunto, os resultados demonstram que a transferência adotiva de linfócitos B-1 reprogramados metabolicamente foi capaz de promover efeitos benéficos em parte dos animais tratados, contribuindo para a melhoria da tolerância à glicose e preservação parcial da função pancreática. Entretanto, a variabilidade observada entre os indivíduos indica que a resposta terapêutica pode depender de fatores relacionados tanto às características dos linfócitos transferidos, sua capacidade migratória e estabelecimento em diferentes órgãos, quanto a fatores ainda desconhecidos no hospedeiro, reforçando a complexidade dos mecanismos envolvidos e o potencial dos linfócitos B-1 como alvo para estratégias inovadoras no tratamento do DM1.
Palavras-chave: Diabetes Mellitus Tipo 1; Insulina; Transferência Adotiva; Estreptozotocina; Tolerância à Glicose.
Área de Concentração: Patologia Ambiental e Experimental.
Linha de Pesquisa: Patologia Integrada e Translacional.
Projeto de Pesquisa: Estudo in vivo do potencial de linfócitos B-1 capacitados metabolicamente à produção de insulina como alvo terapêutico no controle de Diabetes Mellitus.
