Título: Aplicação subgengival de eritritol e clorexidina como monoterapia na terapia periodontal não cirúrgica: ensaio clínico randomizado
Autor(a): Maria Fernanda Kolbe Sepulcre
Orientador(a): Prof. Dr. Marcio Zaffalon Casati
Data: 17/04/2026
Resumo: Este trabalho avaliou o efeito da aplicação subgengival de pó de eritritol + clorexidina 0,3% (ASEC) como monoterapia isolada durante a fase II do tratamento periodontal, em comparação com a instrumentação ultrassônica convencional e polimento com taça de borracha. O estudo foi realizado na Universidade Paulista — UNIP, com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa e seguiu as diretrizes do CONSORT 2025 para ensaios clínicos randomizados. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, controlado, cego e de boca dividida, com 28 pacientes, com idades entre 30 e 80 anos, de ambos os sexos, em boas condições de saúde, diagnosticados com periodontite nos estágios II - IV, graus B ou C, apresentando pelo menos 4 sítios em dentes unirradiculares com profundidade de sondagem 4 mm e sangramento à sondagem, distribuídos em ≥ dois hemiarcos distintos. Foi feita triagem inicial, anamnese, instrução de higiene oral, remoção dos fatores retentivos de placa, raspagem supragengival e polimento coronário. Após 30 dias, os quadrantes foram randomizados por lista computadorizada para receberem: Tratamento teste — ASEC ou Tratamento controle — instrumentação ultrassônica. Os procedimentos foram realizados sem anestesia, com opção de recebê-la, caso o paciente solicitasse. O cálculo amostral baseou-se em Sallum et al. (2005), considerando alteração no nível de inserção clínica (potência 95%, α=0,05), prevendo 19 pacientes, aumentado em 50% para possíveis perdas de acompanhamento, totalizando 28 indivíduos. As avaliações clínicas — profundidade de sondagem (PS), posição da margem gengival (PMG), nível de inserção clínica (NIC), presença de placa no sítio (PP), sangramento à sondagem no sítio (SS), índice de placa de boca toda (IP) e índice de sangramento à sondagem de boca toda (ISS) — foram realizadas no baseline (T0), 3 e 6 meses após o tratamento por examinador cego e calibrado. A dor foi avaliada pela escala visual analógica (VAS) imediatamente e 24 horas pós-tratamento. A análise estatística foi realizada por modelos lineares generalizados de efeitos mistos para medidas repetidas e teste de McNemar para índices dicotômicos (SPSS, α=0,05). Os resultados revelaram reduções na PS aos 3 e 6 meses em ambos os grupos (Controle: 5,60±1,04 mm → 4,27±1,43 mm → 4,00±1,24 mm; Teste: 5,46±1,10 mm → 4,64±1,43 mm → 4,78±1,80 mm). O SS no sítio melhorou aos 6 meses em relação ao T0 (Controle: 100% → 61%; Teste: 100% → 78%). O NIC reduziu no Controle aos 3 e 6 meses em relação ao baseline (6,08±1,57 mm → 4,56±1,97 mm → 4,50±2,01 mm), mas permaneceu estável no Teste (5,86±1,87 mm → 5,04±1,77 mm → 5,33±2,05 mm); diferença intergrupo aos 6 meses favoreceu o Controle (4,5±2,01 mm versus 5,33±2,05 mm do baseline) (P<0,05). A PMG permaneceu estável. Escores VAS não apresentaram diferença entre os tratamentos. Aplicação de anestesia foi necessária em 6 pacientes no Controle versus 2 no Teste. Vinte e oito pacientes foram tratados; 25 completaram 3 meses; 18 completaram 6 meses. Conclui-se que o uso isolado da ASEC é capaz de reduzir PS e SS durante a fase ativa de forma semelhante ao tratamento convencional, porém inferior ao ultrassom no ganho de NIC aos 6 meses. Os desfechos centrados no paciente não mostraram diferença estatística.
Palavras-chave: Eritritol; Clorexidina; Periodontite; Conforto do Paciente.
Área de Concentração: Clínica Odontológica.
Linha de Pesquisa: Prevenção, terapêutica e materiais relacionados às condições do sistema estomatognático.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq: Esquemas terapêuticos e curativos propostos e preconizados no tratamento das doenças bucais.