Autor(a): Bianca de Bem Prunes
Orientador(a): Matheus Kury Rodrigues
Data: 22/06/2026
Resumo: O presente estudo teve como objetivo avaliar a translucidez e transmitância
luminosa de materiais translúcidos, indicados para técnica de “injection molding” (IM),
em diferentes apresentações comerciais e espessuras. Além disso, visou-se investigar o
impacto da atenuação da transmitância causada pela técnica e de tempos adicionais de
fotopolimerização na cinética de polimerização, microdureza de
superfície e densidade de ligações cruzadas de uma resina de baixa viscosidade. Para isso, na
fase I, matrizes dos materiais translúcidos Exaclear (EXA), Luxaprint Ortho Flex (LUX-P), Transil (T-SIL),
Elite Transparent (ELI-T), Elite Glass (ELI-G), Impression Glass (IMP-G), Silic One (S-ONE), Scan Translux (T-LUX)
foram confeccionadas nas espessuras 2, 4, 6, 8 e 10 mm (n=5/grupo). A translucidez (TP00) dos espécimes foi
mensurada utilizando um espectrofotômetro. A transmitância luminosa de um fotopolimerizador Valo
Grand, através das matrizes foi aferida utilizando um espectrorradiômetro acoplado a uma esfera
integradora. Na fase II, a resina composta Tetric N-Flow foi fotoativada através de matrizes representando
níveis de redução de irradiância (IR) de 20% a 80% e protocolos compensatórios
de fotopolimerização foram realizados (20 s extras antes ou após remoção das
matrizes). Grau de conversão (DC) e taxa de polimerização máxima (Rpmax) foram obtidos
por espectroscopia de infravermelho por transformada de Fourier com refletância total atenuada (ATR-FTIR), e
microdureza Knoop (KHN) do topo da resina composta foi avaliada antes e após imersão em etanol, como
medida da densidade de ligações cruzadas. Os dados foram submetidos a modelos lineares generalizados
ou mistos lineares, seguidos de post hoc Bonferroni ( =5%). EXA apresentou os maiores valores de L*, TP₀₀ e
transmitância luminosa total, na faixa do violeta e do azul, além da menor redução de
irradiância em todas as espessuras avaliadas. Em contraste, T-LUX apresentou o pior desempenho
óptico, exibindo os menores valores de TP₀₀ e irradiância transmitida e a maior
atenuação luminosa. A menor redução de irradiância foi observada para EXA com 2
mm de espessura (14,3%), enquanto a maior ocorreu para T-LUX com 10 mm (84,3%). T-SIL e ELI-T apresentaram
desempenho óptico intermediário superior, seguidos por ELI-G e LUX-P, enquanto IMP-G e S-ONE
apresentaram menor transmitância. O aumento da espessura promoveu redução significativa da
translucidez e da irradiância transmitida para todos os materiais. O aumento da redução de
irradiância diminuiu progressivamente o Rpmax e a KHN inicial, enquanto o DC foi significativamente reduzido
apenas sob 80% de redução de irradiância. Os protocolos compensatórios de
fotoativação restauraram o DC e a KHN inicial a valores semelhantes aos obtidos sob menores
reduções de irradiância, porém não recuperaram o Rpmax. Após a
imersão em etanol, todos os grupos apresentaram redução significativa da KHN, sem
diferenças entre os protocolos de fotoativação. Conclui-se que materiais translúcidos
destinados à IM apresentam comportamento óptico altamente dependente da composição e
da espessura, resultando em diferentes níveis de atenuação luminosa. Embora elevadas
reduções de irradiância comprometam a cinética de polimerização e a
microdureza inicial da resina composta, protocolos adicionais de fotoativação foram capazes de
recuperar o grau de conversão e a microdureza superficial, mas não a taxa máxima de
polimerização.
Palavras-chave: Resinas Compostas; Polimerização; Elastômeros de
Silicone.
Área de Concentração: Clínica Odontológica.
Linha de Pesquisa: Prevenção, terapêutica e materiais relacionados às
condições do sistema estomatognático.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Pesquisa e desenvolvimento de materiais e técnicas em Odontologia Restauradora e Estética.
Autor(a): Cyntia Luciancencov Petrillo
Orientador(a): Cristina Lúcia Feijó Ortolani
Data: 22/06/2026
Resumo: Avaliar a associação entre a mordida cruzada posterior unilateral (MCPU) e
alterações condilares em crianças e adolescentes avaliados por métodos
tomográficos. Métodos: Esta revisão sistemática foi reportada de acordo com as
recomendações do PRISMA 2020. Um protocolo previamente elaborado foi registrado no PROSPERO
(CRD420261363733). Foram realizadas buscas nas bases de dados Embase, LILACS, MEDLINE/PubMed, Scopus e Web of
Science, complementadas por literatura cinzenta nas plataformas Google Scholar e ProQuest Dissertations & Theses
Global, sem restrições de idioma ou data de publicação. Também foi realizada
busca adicional utilizando o CitationChaser. Os critérios de elegibilidade foram definidos de acordo com a
estratégia PECOS: população, crianças e adolescentes; exposição, mordida
cruzada posterior unilateral; comparação, indivíduos sem mordida cruzada posterior
unilateral; desfecho, alterações condilares avaliadas por tomografia computadorizada ou tomografia
computadorizada de feixe cônico; e desenho do estudo, estudos observacionais. Dois revisores independentes
realizaram a seleção dos estudos, a extração dos dados e a avaliação do
risco de viés, sendo as discordâncias resolvidas por um terceiro revisor. O risco de viés foi
avaliado por meio das ferramentas JBI, e os resultados foram sintetizados de forma narrativa. Resultados: A busca
identificou 452 registros nas bases de dados , além de 106 registros na literatura cinzenta. A busca
adicional por rastreamento de citações utilizando o Citation Chaser identificou 583 registros.
Após a remoção dos duplicados e a aplicação dos critérios de
elegibilidade, 10 estudos foram incluídos, totalizando 475 participantes (248 com mordida cruzada posterior
unilateral e 227 controles). Sete estudos apresentaram delineamento transversal e três foram de coorte. A
assimetria condilar foi avaliada em cinco estudos, dos quais dois (40%) identificaram diferenças
significativas em medidas específicas, enquanto três (60%) não observaram diferenças. A
posição condilar foi investigada em quatro estudos; três (75%) não encontraram
diferenças entre os grupos e um (25%) relatou redução do espaço articular posterior.
As dimensões morfológicas foram avaliadas em cinco estudos, com resultados divergentes e sem
padrão consistente. Na avaliação do risco de viés, a maioria dos estudos apresentou
baixo risco, com limitações principalmente relacionadas ao controle de fatores de confusão e
às perdas de seguimento. Conclusão: As evidências disponíveis não permitem
estabelecer uma associação entre a mordida cruzada posterior unilateral e alterações
condilares em crianças e adolescentes avaliados por métodos tomográficos. Embora alguns estudos
tenham identificado diferenças na assimetria, morfologia ou posição condilar, os achados
foram divergentes e não permitiram definir um padrão de alterações. Estudos
longitudinais, com protocolos diagnósticos padronizados e métodos tridimensionais
reprodutíveis, são necessários para esclarecer a relação entre essa má
oclusão e as adaptações do côndilo mandibular durante o crescimento craniofacial.
Palavras-chave: Mordida cruzada; Côndilo mandibular; Tomografia computadorizada;
Crianças; Adolescentes.
Área de Concentração: Clínica Odontológica.
Linha de Pesquisa: Prevenção, terapêutica e materiais relacionados às
condições do sistema estomatognático.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Estudos aplicados à ortodontia e ortopedia facial.
Autor(a): Natalia Nunes de Souza
Orientador(a): Raissa Micaella Marcello Machado
Data: 26/06/2026
Resumo: O presente estudo transversal teve como objetivo avaliar a associação
entre a presença de restaurações cervicais em dentes com lesões cervicais não
cariosas (LCNC) e as condições periodontais, bem como a qualidade clínica dessas
restaurações. Foram avaliados 172 dentes unirradiculares, distribuídos em dois grupos: dentes
com LCNC restauradas há pelo menos 30 dias (n=69) e dentes com LCNC não restauradas (n=103). Foram
avaliados os parâmetros periodontais:profundidade de sondagem (PS), nível de inserção
clínica (NIC), sangramento à sondagem (SS), índice de placa (IP) e largura do tecido
queratinizado (LTQ). A qualidade clínica das restaurações cervicais foi avaliada segundo os
critérios modificados do United States Public Health Service (USPHS), considerando a integridade marginal,
o contorno/anatomia, a cor/translucidez, a textura superficial e o manchamento marginal. Os dentes com LCNC
restauradas apresentaram maiores valores de PS (1,86±0,48 mm) em comparação aos dentes com LCNC
não restauradas (1,71±0,40 mm; p=0,006), bem como maiores valores de NIC (1,90±0,55 mm vs. 1,74±0,42 mm;
p=0,012). O SS foi observado em 81,2% dos dentes restaurados e em 69,6% dos não restaurados, sendo a chance
de ausência de sangramento aproximadamente três vezes maior nos dentes não restaurados
(OR=3,21; IC95%: 1,15—8,96; p=0,026). Não foram observadas diferenças significativas entre os
grupos quanto ao IP (p=0,250) ou à LTQ (p=0,930). Na avaliação da qualidade restauradora,
36,2% das classificações foram clinicamente inaceitáveis (Charlie), com as maiores
frequências de inadequação observadas na integridade marginal (59,4%) e no contorno/anatomia
(55,1%). Concluiu-se que dentes com LCNC restauradas apresentaram condição periodontal menos
favorável do que dentes com LCNC não restauradas, caracterizada por maiores valores de PS e NIC e
maior ocorrência de SS, enquanto IP e LTQ não diferiram entre os grupos. Adicionalmente, observou-se
elevada frequência de inadequações relacionadas à integridade marginal e ao
contorno/anatomia das restaurações. Esses achados indicam uma associação entre a
presença de restaurações cervicais e uma condição periodontal menos
favorável.
Palavras-chave: Restaurações cervicais; Lesões cervicais não
cariosas; Saúde periodontal.
Área de Concentração: Clínica Odontológica.
Linha de Pesquisa: Estudos dos mecanismos relacionados à ocorrência das
condições do sistema estomatognático.
Grupo de Pesquisa da UNIP cadastrado no CNPq:
Esquemas terapêuticos e curativos propostos e preconizados no tratamento das doenças bucais.