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Gilles Lipovetsky e as top models

Em tempos de São Paulo Fashion Week, nem só de notícias sobre lançamento de coleções vive a imprensa nacional! No Domingo que precedeu aos desfiles, o caderno Mais+ da Folha de São Paulo publicou uma reportagem com oGilles Lipovetsky. Na ocasião o sociólogo francês comentou a idolatria às modelos à partir da perspectiva feminista, lançando alguma luz sobre problemas e conflitos que atingem o "ser modelo", como por exemplo o poder que é conferido a essas mulheres (oque despertaria inveja e admiração em outras mulheres; o culto ao corpo magro e a principal consequencia desse padrão de beleza, a anorexia.

Para ler a entrevista na íntegra ver o Caderno Mais+ do dia 04/02/2001. O jornal Folha de S. Paulo é acessível via internet, mas tem acesso restrito.

MODA, FETICHE E NOVAS TECNOLOGIAS

Moda, fetiche e novas tecnologias. Esse é um dos temas analisado pela historiadora e curadora do Fashion Institute of Technology, Valerie Steele na entrevista que concedeu ao jornalista Tarcisio d'Almeida (publicada no  caderno Mais + de 29/07/2000, do jornal Folha de S. Paulo). Para a pesquisadora, as formas de fetiche são diretamente influênciadas pelas tecnologias, o que fica patente pela recente obsessão por roupas emborrachadas, fluídas, que modelam o corpo mas que, de certa forma, funcionam como "preservativos" para ele.

Para saber mais sobre o tema:
STEELE, Valerie. Fetiche. Moda, Fetiche e Poder. Rio de Janeiro, Rocco, 1997.
 

Curiosidade:

Segundo Valerie Steele, uma das mais perfeitas expressões das novas tecnologias apliacadas à moda é o bustiê de plastico vermelho criado por Issey Miyake em 1983. A peça, é tem desenho  sensual, moldada nas formas femininas apresentanto mamilos e umbigo, o vermelho brilhante, é um convite ao toque. Entretanto a dureza do material em que foi confeccionada não permite o contato real entre dois corpos.

Issey Miyake, molded plastic bustier, 1983. The Museum at F.I.T., New York, Gift of Krizia Co., 87,1.2. Photograph by Irving Solero. APUD: Steele, Valerie. Fifty years of Fashion: New look to now. New Haven and London: Yale University Press, 1998.

Livro resgata a memória da Valisère no Brasil

A Valisère acaba de anunciar o lançamento de um livro que conta através de texto e ilustrações a história da atuação da empresa no Brasil. Ainda sem título a publicação tem lançamento previsto para o segundo semestre de 2001. A empresa vem atuando no país de 1936 e até 1986, pertencia ao grupo Rhodia, quando foi incorporada pela Rosset. O projeto deve resgatar não só a história da empresa como também das tecnologias do moda. Para dar um exemplo a versatilidade das roupas confeccionadas em lycra datam do final da Segunda Guerra - a fibra foi fabricada inicialmente para a confecção de barracas que serviam de abrigo para os soldados beligerantes. É importante lembrar ainda que contar a História da lingerie, é contar também a muito da história da mulher e seu corpo.

Fonte: Gazeta Mercantil, 2 e 3 de setembro de 2000.

Ilus. Revista Feminina, 1925.

Algumas curiosidades sobre a história da lingerie no Brasil

Hoje os sutiãs são mostrados em anúncios sensuais, mas nem sempre foi assim. Nos anos 20, os sutiãs ainda eram uma novidade! O Mappin Stores comercializava a peça, mas diferente dos outros anúncios na qual uma figura feminina aparecia desenhada, nos anúncios de lingerie a peça aparecia desenhada sobre um busto sem corpo. Oque provavelmente se dava em razão do recato e da moral. Mesmo os anúncios das cintas traziam também eram feitos só sob o busto. Por aqueles tempos as marcas mais "afamadas" de lingerie eram Baudon e Rejane.

Sobre moda íntima e corpo feminino ver:
FONTANEL, Bèatrice. 
Espartilhos e sutiãs. Uma história de sedução. 
Rio de Janeiro: Salamandra, 1996.
PERROT, Phillipe. 
Le travail des apparences.Ou le transformations du corps féminin XVIIe.-XIXe. 
Siècle. Paris: Seuil, 1984.

Retalhos de História da Moda

Em 1926, é lançada a cinta Marinette. Os indícios levam a crer que se tratava de uma homenagem à cronista de moda da Revista Feminina, Marinette, pois o anúncio era publicado nas páginas da revista logo em seguida à seção de moda.

Alguns autores falam em achatadores de seios. Entretanto os indícios levam a crer que no Brasil, eles não eram muito utilizados, pois não foi encontrado nenhum anúncio do produto nas revistas dedicadas ao público feminino A Cigarra e Revista Feminina, bem como nos anúncios do Mappin Stores.

(Pesquisa: Maria Claudia Bonadio. As coleções de A Cigarra e Revista Feminina estão disponíveis para consulta na biblioteca da ECA-USP e Arquivo do Estado, respectivamente).





NIDEM - Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Moda
email: nidem@unip.br solange_wajnman@unip.br
Edição: Maria Claudia Bonadio e Marko Monteiro
Fotografias: Alexandre Bergamo